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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Lendo e escrevendo hoje (em época de pandemia)


Ontem foi Dia Internacional do Livro Infantil (o dia Nacional, que é em homenagem ao aniversário de Monteiro Lobato, comemora-se no dia 18/04), também estamos perto do Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor (23/04). Um bom mês para refletirmos sobre como estamos lidando com a literatura hoje. Como estamos lendo e escrevendo hoje? Você já parou pra pensar nisso?

em época de pandemia

Não é de agora o debate sobre as dificuldades no meio literário, nosso país sempre precisou lutar muito para se dizer, minimamente, leitor (na verdade os estudos ainda apontam que não é, onde lê-se em média 2 livros por ano, segundo a 4ª edição dos “Retratos da Leitura no Brasil”, desenvolvida  pelo Instituto Pró-Livro). Em época de coronavírus, isso toma quais proporções?

Recentemente, dúvidas de como a crise financeira por causa do covid-19 está afetando o mercado editorial estão circulando entre os profissionais da área. Eventos literários estão sendo cancelados, como é o caso da Flip, aqui no Brasil, e a Feira do Livro de Londres, ambas adiadas. Segundo a Publish News (27/03/2020), a lista de vendas também apontou uma queda significativa por conta do fechamento das livrarias físicas: Negócios caiu 73%; Ficção, 72%; Não Ficção, 69%; Infantojuvenil, 60% e Autoajuda, 59%.

Por outro lado, com a recomendação de isolamento social para diminuir o risco de contágio da pandemia, as pessoas estão  procurando, em casa ou em ambiente online, conhecimento e entretenimento. Isso fortaleceu a leitura de livros onlines e digitais, de acordo com alguns escritores e alcance de campanhas como a de #leiaemcasa. Principalmente se tratando de livros infantojuvenis, com os jovens em quarentena. Movimentos de editoras e autores nacionais nas redes sociais levantam a importância de permanecer em casa na boa companhia de livros. Muitos exemplares estão sendo distribuídos gratuitamente por plataformas como a Amazon, sem contar os vários cursos e palestras à distância.

O que isso tem a nos dizer? As pessoas estão lendo em suas casas, consumindo o tempo todo, ainda mais conectados. Artistas e famosos do mundo inteiro também estão se unindo na disseminação de arte e cultura, lembrando, também, da necessidade de se respeitar profissionais de tais nichos, que historicamente são colocados à margem. O que seria de nós sem arte, cultura, entretenimento?

Um outro exemplo recente foi o da triz estadunidense Amy Adams, que entrou no Instagram para compartilhar histórias na campanha Save with stories, a ideia era ler livros infantis para arrecadação de fundos para instituições voltadas à crianças carentes dos EUA, em combate ao covid-19. Isso tudo nos mostra como é um momento de reflexão, transformação de hábitos e atenção com o próximo. E você, como está fazendo a sua parte?

  • Leitores, é hora de colocar em dia aquela leitura que a rotina exaustiva não permitia. Compartilhe sua experiência, divulgue e incentive a literatura, principalmente a nacional. Leia para crianças. Apoie um autor, seja comprando seu livro ou simplesmente indicando aos amigos, comentando algo motivador. Precisamos alimentar bons pensamentos mais do que nunca.
  • Autores, que tal tirar aquele original da gaveta? Estudar e se organizar mais para terminar aqueles projetos antigos? É uma oportunidade de reunir ideias e saber colher do seu brainstorming valiosas formas de alavancar sua carreira. Mas não só isso, é claro, pois se o cenário está mudando, nossos leitores também estão e precisamos correr atrás dessas variações. Fique mais próximo deles, crie enquetes e novos trabalhos específicos para esse momento. Seja criativo!

A criatividade é essencial nesse período, pois como a queda da venda de livros físicos está nos indicando dias frustrantes à nossa frente, o autor, principalmente o independente, precisa estar atento aos passos que pode dar para não cair no limbo dessa crise. O importante é não desistir. Literatura é resistência.

E vamos seguindo em casa. Hoje, às 18hrs, estarei numa Live falando sobre meus trabalhos no Instagram, acompanhe! Também tenho livros disponíveis na internet que podem te fazer companhia no isolamento. Cuide-se, cultive boas energias para que em breve tudo fique bem novamente. Boa leitura, até mais!

quinta-feira, 19 de março de 2020

Os sonhos na (minha) escrita distópica


Você deve estar se perguntando a que sonhos me refiro, não é? Não é o que desejo para o gênero distópico ou como os sonhos aparecem nessas narrativas. Na verdade estou aqui para falar de uma coisa bem básica para você que pode estar tentando concluir seu primeiro livro ou que possui essa vontade de escrever profissionalmente um dia: já prestou atenção nos sonhos que você tem a noite? Eles podem ser o começo de uma grande história...

escrevendo distopia

Esse post é especial pelo aniversário da minha duologia, Renegados. Hoje completamos 4 anos no Wattpad, plataforma onde você tem acesso à dezenas de livros de forma gratuita, incluindo os meus. Renegados e a sequência, Desertores (ambos completos por lá), surgiram para mim através de um sonho. Ou, melhor dizendo, ganharam forma em minha mente após a escrita baseada num sonho. Sabia?

Vamos voltar no tempo... Tudo começou quando sonhei que estava em um grande pátio. Ele parecia revestido de mármore, com pilastras dando ar de seriedade, um lugar intocável e protegido como uma fortaleza. Estava silencioso, lembro de passar por ali para entrar em uma sala que servia como enfermaria, inclusive estava vestida de branco. Mas, de repente, um estrondo. Havia um grande portão a certa distância de mim, com soldados fazendo barreira. Correria, confusão. O lugar estava sendo atacado por bombas. Não lembro de mais nada a não ser que eu era atingida bem no meio do pátio.

Pareceu familiar? Foi a partir disso que escrevi O contador de histórias, conto selecionado para a publicação de Céus de Chumbo, a antologia distópica que participei em 2016. Foi a primeira vez que me aventurei a escrever nesse gênero, depois de seis anos somente em fantasia e romance adolescente. É claro que tive influências externas de séries distópicas que acompanhava nos livros e cinema, como Legend e Jogos Vorazes, também. Mas uma coisa é gostar e outra totalmente diferente é se arriscar na escrita de um gênero tão intenso (tema para outro post). Foi uma alegria ser escolhida com o primeiro conto enviado à uma editora e ainda ficar entre os dez melhores na classificação para o Prêmio Strix.

Não levei o prêmio, mas foi uma época muito importante para mim. E então a ideia foi continuar; lutas sociais, superpopulação, falta de suprimento básico... o que aconteceria com o mundo se isso se tornasse real? Assim surgiu Renegados, que não era para ser duologia, mas os personagens - e leitores - queriam mais. Temos hoje quase 40K de visualizações no Wattpad. E eu não deixaria de dizer aqui o meu muito obrigada a você que esteve ou está por lá!

Vou tentar puxar o fim desse post, embora não falte assunto aqui... Espero ter demonstrado a você como simples sonhos podem nos fazer dar grandes saltos. Leia, pratique, acredite. Sente insegurança com seus textos ou não sabe construir ideias? Comece escrevendo seus sonhos e veja o que acontece, quem sabe ajuda?

Atualmente a distopia realmente não está tão longe da nossa realidade, o que é assustador. Sempre digo que gosto do gênero por causa desse caráter de reflexão dos nossos atos quanto sociedade. Em época de coronavírus, digamos que não tem para onde fugir quando se trata de reflexão. É hora de analisarmos como reagimos ao que está acontecendo e fazermos a nossa parte para o bem de todos.

distopia na amazon

Que tal aproveitar a quarentena consciente lendo um pouco mais? Em comemoração ao aniversário, temos esse meu conto de Céus de Chumbo + conto extra gratuitos na Amazon! Mas só a partir de amanhã (dia do contador de histórias, hein!), até dia 24/3! Enquanto isso ele está no Kindle Unlimited e num precinho bem camarada. Aproveita também para conhecer a duologia enquanto ainda está disponível no Wattpad. Cuide-se e boa leitura!


quinta-feira, 12 de março de 2020

Onde está a poesia?


Dia 14/03, próximo sábado, era Dia Nacional da Poesia. Você sabia? Provavelmente não, a não ser que seja alguém intimamente ligado ao mundo das letras - talvez nem assim. Mas a data passou do aniversário de Castro Alves para Carlos Drummond de Andrade, que é comemorado em 31 de outubro. Ainda assim, em março ainda temos o Dia Mundial da Poesia, dia 21. Mas já parou para pensar o motivo de não valorizarmos a prática poética em nosso país? Onde está a poesia?

Amanda Lovelace, Rupi Kaur
Foto de fundo: Karine Monteiro
Às vezes, parece que ela só orbita entre os antigos. Se você pesquisar no Google por "poetas brasileiros", por exemplo, os nomes que aparecem em destaque são: Vinícius de Moraes, João Cabral e Machado de Assis, para citar alguns. Mas e nos dias de hoje? Não existem mais poetas?

Bom, chegamos ao primeiro ponto de afastamento: nos ensinam desde pequenos os grandes clássicos da poesia e prosa de forma a classificá-los em escolas literárias. Somos obrigados a não gostar de literatura na escola, já que se torna uma disciplina de memorizar épocas e características de estilo, onde tira-se um tempo quase insignificante para a leitura integral dos textos.

Além da falta de incentivo da escola, que torna a leitura (não só da poesia) uma prática "chata" ao invés de prazerosa para os alunos, temos o julgamento de que poesia é um gênero inferior ao romance, ao mesmo tempo em que erudito demais. Vou explicar. Quantas vezes você já ouviu que é difícil entender alguns poemas? Ou que vale mais a pena ler uma prosa de trezentas páginas?

De modo geral, o fazer artístico não é valorizado e divulgado com bons olhos em nosso país, visto como perda de tempo. Onde está a poesia? A poesia está em tudo. O que nos falta é sensibilidade, o mundo é tão cruel que nos transforma em pessoas sem subjetividade. Fazem-nos acreditar que não somos bons o bastante para nos tornarmos escritores, pois não somos como Drummond. Não somos, mas não devemos ler apenas Drummond quando existem vários autores a conhecer.

Isso tudo me fez lembrar um trecho de O Zen e a Arte da Escrita, onde Ray Bradbury comenta:
"Leia poesia todos os dias de sua vida. Poesia é bom porque exercita músculos que não são utilizados sempre. Poesia expande os sentidos e os mantém em forma. Ela mantém você consciente de seu nariz, olho, ouvido, língua, mão. E, acima de tudo, a poesia é uma metáfora compacta ou um sorriso. Essas metáforas, como flores de papel japonesas, podem se expandir em formas gigantes. As ideias estão em todo lugar nos livros de poesia, embora muito raramente os professores de conto as recomendem para estimular a escrita"
A poesia persiste. Onde está a poesia? Vejo poetas lançando seus livros, vejo poesia nos versos de Slam, o problema é que ainda não é tão acessível - quando falamos dos espaços e no preço dos exemplares. Estão à margem, tentando se reconectar com a vida das pessoas, quebrar a barreira que culturalmente foi construída.

Quando falamos do que vem de fora, que está agitando as coisas por aqui, podemos citar a americana Amanda Lovelace (A princesa salva a si mesma neste livro, A bruxa não vai para a fogueira neste livro, A voz da sereia volta neste livro) e a canadense Rupi Kaur (Outros jeitos de usar a boca, O que o sol faz com as flores), conhecida, aliás, como Instapoet.

Citei as duas para entrar nesse outro ponto de mudança quando se trata da poesia hoje em dia, que são os textos curtos das redes sociais como Instagram e Pinterest. São meios muito comuns de disseminar poesia atualmente, onde tudo é acelerado e, por isso, uma leitura rápida pode se tornar ideal. Sem contar que todos estamos conectados, então estamos sempre lendo, mesmo sem notar. Muitos autores estão conquistando público assim, como também é o caso da Clarice Freire, do Pó de lua. Pode ser a virada do jogo para a poesia.

Escrevo poesia, leio poesia, não tenho vergonha.

Acredito ser uma forma de colocar no papel/tela um outro olhar sobre as coisas, como um sopro da alma. Falando nisso, acompanhe alguns dos meus poemas autorais no @versoqueseescreve, sábado vai sair uma novidade por lá! Até mais!


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

11 frases para escritores


O Zen e a Arte da Escrita reúne textos de Ray Bradbury que envolvem sua prática literária. Vimos em outro post aqui do blog como ele vai tecendo conexões entre "trabalho" - "relaxamento" - "não pense". A leitura me acrescentou tantas reflexões que resolvi trazer 11 frases para escritores (mas também podem atrair a atenção de outras áreas), leitura recomendadíssima se você é mais um apaixonado (a) pelos livros!

Frases de Ray Bradbury sobre a escrita

São vários artigos que conversam com vida pessoal e profissional ao longo do livro. E eles nos dizem não, ser escritor não é somente deixar a caneta fazer o trabalho. É preciso, dentre muitas coisas, estudar, ler bastante. Não se desesperar e dar o seu melhor.

Descobrir alguns cases de sucesso pode ser uma forma de auxiliar seu processo de escrita. E assim, separei frases de Ray Bradbury a nos fazer pensar sobre como estamos trabalhando. Hora de pegar papel e caneta!

1 - "Primeiro e mais importante, escrever nos faz lembrar de que estamos vivos e de que isso é uma dádiva e um privilégio, não um direito"; (Prefácio)

2 - "É preciso se embriagar da escrita para que a realidade não o destrua"; (Prefácio)

3 - "Quando alguém me pergunta de onde tiro minhas ideias, eu rio. Que estranho - estamos tão ocupados em olhar para fora, para encontrar meios e fundos, que nos esquecemos de olhar para dentro"; (Como manter e alimentar a musa)

4 - "Leia poesia todos os dias de sua vida"; (Como manter e alimentar a musa)

5 - "Se o seu leitor sentir o sol na sua carne, o vento agitando as mangas da camisa, metade da sua batalha como escritor estará ganha"; (Como manter e alimentar a musa)

6 - "Sem fantasia, não há realidade. Sem estudo sobre a perda não há ganho. Sem imaginação não há vontade. Sem sonhos impossíveis não há soluções possíveis"; (Sobre os ombros de gigantes [...])

7 - "Qual é a maior recompensa que um escritor pode ter? Não é o dia em que alguém corre até ele, o rosto queimando com honestidade, os olhos em brasa de admiração e declara: Sua nova história é ótima, realmente maravilhosa!? Então, e apenas então, escrever vale a pena"; (O zen e a arte da escrita)

8 - "O artista deve trabalhar tanto e tão duro, que um cérebro se desenvolve e vive, por si mesmo, em seus dedos"; (O zen e a arte da escrita)

9 - "Você está em meio a um processo dinâmico. Nada fracassa, então, tudo continua. O trabalho foi feito. Se bom, você aprendeu com ele; se ruim, você aprendeu ainda mais. Trabalho feito e terminado é uma lição a ser estudada. Não há fracasso, a menos que se pare. Não trabalhar é cessar, empacar, tornar-se nervoso e, portanto, destruidor do processo criativo"; (O zen e a arte da escrita)

10 - "Deixe o mundo brilhar através de você"; (O zen e a arte da escrita)

11 - "Chegará o momento em que seus personagens vão escrever as histórias para vocês, quando as suas emoções, libertas da hipocrisia literária e da preocupação comercial, explodirão a página para contar a verdade". (O zen e a arte da escrita)

Incrível olhar nossa prática dessa forma, não é? Lembrando que você entenderá melhor essas frases realmente como dicas com a leitura integral da antologia (tem a versão em e-book disponível na Amazon, aproveite!), mas acho que consegui demonstrar um pouquinho da sabedoria do autor, caso ainda não o conheça.

Acredito ser um diferencial em qualquer carreira aquele período de descansar, ler coisas novas e depois voltar com mais energia aos projetos. Ler esse tipo de livro funciona bastante comigo para dar luz à insights. O que você acha? Falei disso no post contra bloqueios criativos, também. E temos mais posts sobre livros que inspiram aqui no blog, espero que goste de dar uma olhadinha. Até mais!